Que prova faria você mudar de ideia?
Por Julio Benchimol Pinto
Faça essa pergunta a duas pessoas que desconfiam de uma urna. A primeira responde: quero saber que registros existem, quem os confere e como posso verificar o resultado. A segunda diz: se a perícia apontar fraude, eu tinha razão; se não apontar, os peritos também estão envolvidos. Elas partiram da mesma frase. Só uma delas fez uma pergunta.
A distinção interessa tanto ao eleitor quanto ao advogado. Quem impugna um resultado deve poder dizer qual fato contesta e o que aceitaria como resposta. Se qualquer resposta servir para confirmar a acusação, uma auditoria impecável e uma auditoria desastrosa darão na mesma. Nesse jogo, perde-se antes de abrir o envelope.
“A dúvida legítima tem método.” Escrevi essa frase no capítulo 5 porque há algo precioso na desconfiança bem formulada: ela obriga a instituição a explicar-se. Uma democracia em que ninguém pode perguntar é frágil. Também é frágil aquela em que ninguém pode dar uma resposta que encerre a suspeita. O direito de perguntar precisa de uma coisa rara na vida pública: a disposição de ouvir um resultado desagradável.
Grande parte dos meus quase 100 mil seguidores insistiu para que eu escrevesse este livro. Em A República, a Sinagoga e o Algoritmo, volto às urnas, mas também à toga, à sinagoga e à mesa de casa para fazer a mesma experiência: o que acontece quando a resposta contraria alguém de quem gostamos? Quem quiser fazer o teste comigo pode começar por “TSE, urnas e desinformação”, o quinto capítulo.
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